São Sebastião


Segundo a Legenda Áurea, Sebastião vem de sequens, “seguinte”, beatitudo, “beatitude”, astin, “cidade” e ana, “acima”, o que significa “aquele que seguiu a beatitude da cidade celeste e da glória eterna”.

Para Santo Agostinho, ele adquiriu tal beatitude com cinco moedas: com a pobreza obteve o reino; com a dor, a alegria; com o trabalho, o repouso; com a ignomínia, a glória; com a morte, a vida.

Sebastião era um perfeito cristão, originário de Narbonne, atual França, mas foi criado em Milão, recebendo daí sua cidadania. Educado na fé católica, desde cedo mostrava-se afeito às virtudes, sobretudo demonstrando força e coragem.

Apesar de contrário à carreira militar, ele se alistou no exército (em cerca de 283), a fim de estar mais próximos dos cristãos perseguidos e encarcerados e poder minimizar seus sofrimentos. Tornou-se tão correto junto à guarda imperial que também recebeu o apreço dos imperadores Diocleciano e Maximiano que lhe concederam a honra de se tornar Chefe da Guarda imperial.

Depois de muito trabalhar em prol dos cristãos sem se revelar como cristão, o corajoso capitão socorredor dos mártires se viu diante da hora de uma fidelidade decisiva: estar debaixo do comando dos imperadores ou debaixo das ordens do Rei Supremo, Jesus Cristo. Sem titubear, São Sebastião escolheu a vida eterna e não a terrena e começou a pregar contra a perseguição e a ajudar os cristãos de forma pública. Ao saber disso, Diocleciano logo decretou a morte de São Sebastião. Prenderam-no os próprios amigos de farda, em sua maioria invejosos de sua glória. Sua morte seria a flechadas. Amarrado a uma árvore, atingiram-no com dezenas de flechas, deixando-o com aparência de morte. Ao fim do dia, uma piedosa viúva de nome Irene, recolheu seu corpo com a ajuda de outros cristãos, a fim de sepultá-lo e qual não foi a surpresa em saber que ainda se encontrava vivo.

Irene cuidou dos muitos ferimentos de Sebastião, ao mesmo tempo que recebia dele santos ensinamentos sobre a fé, o amor a Deus e a fidelidade ao santo propósito do Céu. Miraculosamente, o santo se viu logo curado e decidiu enfrentar diretamente o Imperador, censurando-o pela sua perseguição cruel. Diocleciano ficou mais revoltado ainda com a intrepidez e a audácia do capitão e mandou-o novamente para o martírio, dessa vez a pauladas até que realmente estivesse morto. Para que os cristãos não honrassem o corpo do Glorioso Mártir, o imperador mandou que o jogassem na sarjeta, em meio à lama.

Depois de sua morte, o herói de Cristo apareceu a Lucina, revelou-lhe o lugar de sua sepultura e pediu-lhe que sepultasse seu corpo nas catacumbas, no lugar em que haviam sido inumadas as relíquias dos apóstolos, em 20 de janeiro de 288.

São Sebastião é modelo de fortaleza diante das dificuldades e de obediência às coisas de Deus, pois “é preciso obedecer antes a Deus do que aos homens” (At 5,29). O glorioso Mártir nos convida também a vivermos o segredo do martírio incruento da fidelidade cotidiana aos pequenos e grandes sacrifícios da vida.